Justin Timberlake Brasil

by André

Segunda resenha de Man of the Woods

O jornal britânico The Guardian avaliou o Man of the Woods com nota 60/100. Confira a matéria:

Justin Timberlake: Resenha de Man of the Woods

Ele juntou a música country com a western e rock sulista de seu estado natal Tennessee com o R&B – e é difícil não se impressionar.

No mundo do pop mainstream, Justin Timberlake se tornou uma figura inquieta. Tendo nem mesmo se estabelecido como algo mais do que um ex boyband, ele já havia começado a se aventurar mais do que o necessário ao fazer seus álbuns. Parecia que ele queria correr riscos a fim de se manter interessado na música ao invés de filmes, moda, golfe, empreendimentos ou qualquer uma das múltiplas coisas que envolva sua carreira. O álbum FutureSex/LoveSounds foi muito inspirado em Prince, Kraftwerk e David Bowie, enquanto The 20/20 Experience apresentou um som hip hop e R&B visionário, tendo uma das produções mais exploradoras e ousadas de Timbaland.

Mas talvez Man of the Woods seja o álbum em que Timberlake mais se arriscou. “Americana com 808s” seria a definição dada pelo cantor e seus produtores Timbaland e os Neptunes ao juntar country, western music, rock sulista e o R&B. Com nomes como “Livin’ Off the Land,” aparição de Chris Stapleton, uma canção co-composta por Toby Keith e muito conteúdo lírico inspirado em suas raízes sulistas, não é difícil sentir como se ele tivesse exagerando.

É óbvio que se trata de ambição, mas não sem precedentes: na década de 60 e 70, country e R&B eram frequentemente unidos. […] Você pode sugerir que Timberlake estaria tentando fazer uma resposta ao country-soul de Tony Joe White, Dan Penn ou Jim Ford do século 21. A grande diferença é que unir os dois gêneros é muito mais difícil agora do que a 40 anos atrás: o tipo de R&B que Timbaland e os Neptunes fazem são futuristas, enquanto o country e rock sulista que Timberlake quer unir é totalmente tradicional. Juntar os dois é tarefa difícil, e o produto final é incontestavelmente de qualidade mista.

Em um extremo, temos músicas fantásticas aqui. Midnight Summer Jam é muito boa, um som disco hiperativo com um refrão que você poderia imaginar o Earth Wind And Fire cantando, com armônica e violão. The Hard Stuff oferece violão acústico, pedal e eletrônica. O single Supplies é eletrizante, um tanto quanto psicodélica, Pharrell Williams brinca com as palavras e a letra da canção usa sobrevivência como metáfora improvável para o sexo.

No outro, tem algumas músicas estranhas – Sauce vai de funk-rock ao som de Nasvhille várias vezes – ou simplesmente horrível. Você pode ver o que tentaram fazer em Wave – junte uma linha de baixo country com uma canção R&B moderadamente lenta – mas o resultado final é horrível, enquanto Flannel toca em um dos pontos menos interessantes do country, o sentimentalismo excessivo. Algumas músicas não lembram country, rock sulista ou R&B tanto quanto o som reggae de pop acústico de Jack Johnson, o que é um resultado peculiar, dada a intenção.

Mas tirando seus defeitos, não é difícil se impressionar com Man of the Woods. É possível ouvir o esforço de fazer o álbum dessa maneira. Timberlake poderia ter, facilmente, feito um álbum pop com os mesmos compositores e produtores pop do momento e ter feito do álbum um grande sucesso, contando com a sua popularidade. As músicas boas são ótimas, as ruins são evitáveis, mas num mundo pop onde a originalidade não é muito encorajada, há algo muito louvável nas suas intenções de fazer algo diferente.

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