Justin Timberlake Brasil

by André

Entrevista de JT para a Amazon

Recentemente, para o lançamento do álbum Man of the Woods, JT deu uma entrevista à Amazon contando detalhes do álbum e falando de faixa por faixa. O arquivo em vídeo é exclusivo para assinantes, mas conseguimos traduzir pelo áudio. Leia:

Como o álbum Man of the Woods se diferencia, liricamente falando, dos álbuns anteriores?

As letras e músicas de meus álbuns anteriores foram baseadas em aspiração. Esse álbum é inspiração. Acredito que para encontrarmos uma verdadeira inspiração, temos que olhar para dentro de nós mesmos e pensarmos em como as coisas ao nosso redor nos afetam. Não como você quer afetar as coisas, isso é aspiração.

Suit & Tie é sobre eu querendo mostrar ao mundo que não se trata de roupas caras, se trata de ter classe. SexyBack foi aspiração para fazer as pessoas sentirem como se estivessem cantando a música, como se eles fossem aquele personagem e é por isso que coloquei minha voz junto a um amplificador de guitarra e um efeito de fuzz, para dar a distorção. Mas essas canções [do Man of the Woods] são introspectivas.

No álbum você nos deu muitas vibes: da natureza, família, bons tempos… E você vem trazendo junto algumas influências muito vívidas. Parece ter sido uma boa experiência.

Realmente nos divertimos muito fazendo o álbum. O que me pegou quando terminamos o álbum foi o fato de eu pensar que esse CD tem que ser ouvido do lado de fora, mais do que do lado de dentro. A gente terminava uma música e alguém dizia: sabe, essa música parece como se estivéssemos viajando com as janelas baixas… Mas à noite! Ou então alguém dizia “oh, parece que está sendo tocada em campo aberto!” Ninguém dizia “cara, eu consigo ouvir essa música num estádio!” Ninguém disse isso.

Você pode sentir as montanhas, as árvores, o ar, a grama… O som que um vento faz quando bate num milharal. Esses elementos estão na música e não usamos somente efeitos de som. Era importante para mim, misturar todos esses tipos diferentes de guitarra. Acústica, elétrica, todos esses elementos juntos dão vida ao álbum. Podemos tocar o mesmo instrumentos, mas nossos dedos farão com que os sons sejam diferentes.

E toda a sua história se reflete nesses dedos.

Sim, claro. Foi muito importante ter esses elementos fazendo parte disso. Tem muitos sons diferentes nele.

Agora vamos falar sobre Montana. Tem algum artista que você cresceu ouvindo que está no DNA desta música? 

Definitivamente os Bee Gees, talvez na canção Night Fever. É mais rápida, bem disco. Se parece com Montana.

Então, qual a história por trás da canção?

Montana é basicamente sobre estar lá [no estado Montana] com minha esposa. Então, tem um significado bem especial! Foi aí que começou e é sobre aquele momento em que você sente que precisa dar algum passo. E para mim, liricamente, a ponte dessa música é talvez a minha preferida do álbum. O jeito que conseguimos captar o sentido da letra sem entrar muito em histórias pessoais fez muito sentido para mim. Estávamos falando sobre estar nas montanhas. E quando eu a pedi em casamento, eu disse “veja só as sombras nas montanhas” e já tinha a aliança pronta. Então, foi algo que inspirou os versos da ponte.

O que te fez querer chamar o álbum de Man of the Woods?

Man of the Woods foi a primeira canção que fizemos para o álbum e ainda não tinha decidido que o álbum teria esse nome, mas Pharrell e eu estávamos conversando sobre paternidade e ele perguntou: “O nome do seu filho é Silas, qual é o significado?” e eu respondi: “Nunca procurei” e no mesmo instante pesquisei no Google “significado do nome Silas” e trouxe alguns resultados: “rei da floresta,” “homem da mata” e Pharrell disse “esse é um bom nome para a canção”e podemos usar como inspiração para fazer uma música tipo “eu sou um homem do sul” porque essa parece uma maneira legal de dizer isso. E eu disse “na verdade, esse é um bom nome para um álbum!” Ele disse: “é, e quão legal será daqui uns anos as pessoas descobrirem que você escolheu o nome do álbum por causa do seu filho.”

Essa é minha canção preferida no álbum. 

Obrigado. É uma canção bem complexa e quanto mais você ouve mais você percebe o quão complexa ela é. Cada som específico tem seu próprio lugar no seu ouvido. Foi daí que surgiu a direção para o álbum, juntar hip hop, R&B com algo que soasse mais como a música americana vintage.

Não foram muitos que fizeram isso.

Eu não conheço ninguém que tenha feito dessa maneira. Honestamente, Pharrell foi uma grande parte disso. Estávamos conversando sobre baixo e entramos no assunto de como a máquina de ritmos 808s se tornou tão popular na música hip hop. Elas são capazes de diminuir a frequência das batidas, então você ouve a onda vindo da batida. Mas falávamos sobre como usá-la melodicamente, como se estivéssemos tocando um baixo de verdade, como seria o som. Ele fez ficar muito bom.

Filthy. A modelagem da canção… A letra, “seus amigos, meus amigos,” reflete a vibe de quando vocês estavam em estúdio?

Era à noite quando fizemos a canção. Não tínhamos a introdução, só tínhamos a batida. E foi assim que tudo começou. Foi o Danja que deu origem a essa batida e foi incrível. Para mim, a canção é como se David Bowie cantasse I Want Your Sex. Você imediatamente sente a vibe de Let’s Dance. A progressão da música vai ficando mais alta e me lembra como Freddy Mercury faria, parecendo que estamos entrando em um filme de suspense.

Antes de entrar em estúdio, como você guarda todas as ideias para as músicas? Você canta no seu celular? Você escreve as letras? Você tem um caderninho?

De todas essas maneiras. Às vezes alguém diz algo… 😀 Literalmente, podemos começar falando sobre essa canção. Foi a primeira que Chris Stapleton e eu escrevemos juntos para o álbum. Na verdade, fizemos várias músicas juntos, mas apenas 3 entraram no CD. Chris e eu escrevemos Say Something, Morning Light e The Hard Stuff. Ele chegou no estúdio em LA, depois do CMAs, tinham várias músicas que eu pretendia deixar no álbum… Eu escrevia com o Pharrell por 10 dias e depois dávamos uma pausa. Daí eu voltava em estúdio e via o que aconteceria se colocasse o time do FutureSex/LoveSounds e Chris Stapleton juntos. E foi assim que Say Something aconteceu. Chris se sentou comigo e perguntou “sobre o que você quer compôr?” E tinha muita coisa acontecendo no mundo naquele momento e conversávamos sobre sentir a responsabilidade, como artistas, de dizer algo sobre certas coisas. E eu respondi: “Cara, eu tenho esse dilema: sempre quero dizer algo, mas não quero ficar no meio disso tudo.” Olhamos um para o outro e faríamos a música.

É uma das minhas preferidas. Acho que as pessoas verão o Chris Stapleton como artista convidado na música e pensarão que é country, mas é a canção menos country que ele já fez. Foi incrível trazer ele para o meu mundo… Acho que ficamos meio a meio nessa música. É uma música que, daqui anos, ainda será importante para alguém em algum lugar do mundo.

Então, sonicamente, o que te levou a fazer essa música?

Eu queria ouvir a versão acústica de Sunday Bloody Sunday. Eu nem sei se eles já fizeram algo acústico, mas estou dizendo que se os Eagles fizessem um cover de Sunday Bloody Sunday, como seria? Por algum motivo, minha intuição me diz que talvez se parecesse com Say Something.

Para Man of the Woods, você teve duas colaborações muitos boas. Teve Chris Stapleton e Alicia Keys. Seu trabalho sempre parece ter um pé em mundos diferentes, mas ainda mais nesse álbum. 

Eu acho muito interessante colidir duas coisas diferentes. Tentamos criar híbridos diferentes. Em FutureSex/LoveSounds fica óbvio que estávamos ouvindo new wave e tentando fazer soar moderno. Para esse álbum, queríamos que as guitarras soassem como The Allman Brothers Band, mas ao mesmo tempo dançante. Eu ainda queria colocar uma melodia R&B por cima. E isso se tornou uma direção para muitas das produções do álbum. Eu tentei fazer meu próprio experimento com Morning Light. Uma linha de baixo bem específica tocada com 808s, ao invés de um som de baixo. Moderniza o som. Esse ritmo se parece muito com Memphis.

Conte-me sobre Midnight Summer Jam.

Midnight Summer Jam é basicamente como os Earth, Wind and Fire fariam se fossem ao centro da cidade. Como seria se eles fossem forçados a fazer o álbum deles em um estúdio. Na verdade realmente queríamos que fosse uma Jam. Ao invés de ter só uma guitarra ou sintetizadores, você tem uma gaita fazendo a batida. Você quer sentir como se estivesse lá, visualizando aquilo. Todos curtindo ao mesmo tempo.

Tem uma música no álbum chamada Sauce. De quem é aquela voz no início?

Então, por mais engraçado que pareça, eu estava mexendo no Instagram e achei que seria ótimo incluir aquele garoto, que também tinha muito estilo quando ele explica aquilo. E na verdade, faz muito sentido o que ele disse. Tem toda uma explicação depois, nós só colocamos o comecinho. Eu achei bem engraçado. E aconteceu depois de termos feito a música.

Eu estava no processo de mixagem do álbum e sentia que precisava de algo rítmico mas que ainda fosse divertido. Como eu posso juntar Filthy e Man of the Woods? E Sauce se tornou o intermédio. Eu estava referenciando Brittany Howard, do Alabama Shakes. Não é igual, pois a progressão é diferente, mas tentei referenciar Don’t Wanna Fight.

Uma mudança monumental desde o seu último álbum: você se tornou pai. E você fecha o álbum com essa canção incrivelmente emocionante.

Meu avô foi uma grande figura paterna para mim. Quando ele me contava algumas grandes lições de vida, ele dizia “alright young man, sit down” (certo, garoto, sente-se aí — mesma letra da música) e eu pensei: “como posso transmitir isso para o meu filho?” Mas eu não sabia como. Porque eu pensava “ah, o nome dele está no álbum, também é o nome do meu avô, é de família, significa muito para mim” e tudo começou a acontecer. Eu escrevi a música com um grande amigo e co-compositor James Fauntleroy, que também era pai. Então, conversamos muito sobre isso e meio que veio naturalmente. Eu sabia que queria chamá-la de Young Man porque Silas tem o mesmo nome que meu avô e ele me costumava me dizer essas coisas. A canção é como se fosse uma carta de amor em uma cápsula do tempo. Ele poderá ouvir essa música a qualquer momento, mesmo depois que eu tiver morrido. Para essa música, eu fiquei pensando “o que Bill Withers faria essa música?” Ele é uma grande influência para mim e eu pensei que ele simplesmente a escreveria, do mesmo modo como fala e ver como a melodia funciona.

Qual sua mensagem para o seu filho em Young Man?

Você pode fazer de tudo nessa vida. Eu sempre estarei com você, sua mãe sempre estará com você. Talvez seja algo que você possa absorver e passar para as próximas gerações, caso você tenha um filho algum dia. Foi algo que eu queria guardar no tempo. E quando estava fazendo a mixagem do álbum, eu tinha esses vídeos no meu celular: um de quando ele tinha 4 meses, quase no mesmo dia em que fiz ele dizer papai; e outro de um ano depois, que ele já fala e era um vídeo que minha esposa me mandou dele me vendo na televisão, o que é surreal, mas ele me reconheceu. E como tudo isso pode acontecer em tão pouco tempo?

Conversei com Timbaland e ele tinha muitas coisas boas a dizer sobre você. Ele te conhece desde os 14 anos. Ele te viu evoluindo.

É, é o meu irmão de outra mãe.

Vou deixar ele dizer por mim: “Ele não tenta ser como outra pessoa, isso me inspira. Ele é muito ético, não só no palco, mas também fora dele. Sua paixão… Ele me ensinou a não tomar decisões precipitadas e me fez aprender a pensar muito antes de agir. Tem tanto trabalho, que é impossível não estar em ponto, não tem como desperdiçar tempo. Às vezes as pessoas evoluem mais lentamente que as outras, e ele evoluiu muito rápido. Isso me fascina. Ele é mais do que um artista, ele é um entertainer. Ele ficará na história, como Prince, Michael Jackson… As pessoas vão perceber isso tarde, mas para mim, ele já é um dos melhores que já conheci. Para as pessoas que respeitam a música, ele fará parte da história.”

Bem, eu nem sei o que dizer. Eu aprendi muito com ele também. Ele tem uma intuição muito boa, especialmente no modo com que ele faz música. Fazemos música juntos e nem precisamos falar um com o outro, só começamos a fazer. Foi muito legal.

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