Justin Timberlake Brasil

by André

Danja fala sobre Man of the Woods em entrevista

O produtor Danja concedeu uma entrevista à revista Complex e falou sobre JT, Filthy, Man of the Woods e outros. Confira a tradução abaixo:

Quando Justin Timberlake postou uma foto sua ao lado de Timbaland e Pharrell, quase um ano atrás, a legenda era simplesmente “…” – e não precisava de mais explicações. Ele estava de volta ao estúdio, trabalhando em novas músicas, e o fazendo ao lado de pessoas que ajudaram a criar boa parte de sua discografia em carreira solo, que chamamos de um clássico nos dias de hoje. Mas ainda faltava uma pessoa que merecia estar na foto.

Nate Hills, comumente conhecido pelo seu nome artístico Danja, esteve ao lado de Timbaland nos últimos 16 anos, desde que Timb o levou embaixo de suas asas por volta de 2001. Desde então, uma grande parte das canções produzidas por Timbaland, levam crédito de Danja também, já que os dois produtores nascidos na Virginia trabalharam juntos para criar algumas das batidas clássicas que definiram a carreira de Timbaland. Incluindo o FutureSex/LoveSounds, em que Danja produziu quase todas as canções, com exceção de apenas 2.

Enquanto o álbum mais recente de JT, The 20/20 Experience, foi exclusivo de Timbaland, Danja conseguiu impressionantes créditos produzindo canções por conta própria. Mas a reunião foi ideia de Timbaland e Danja está de volta, juntamente a Timbaland, por trás do primeiro single do álbum Man Of The Woods: Filthy.  A canção, propositalmente, não tem muito a ver com o conceito do trailer postado na conta de JT no YouTube, porque nos fazia pensar que seria um álbum totalmente country. Ao invés disso, Filthy soa mais como um upgrade de FutureSex/LoveSounds.

A direção criativa de JT para o quinto álbum está mais misteriosa do que nunca. Por isso, a Complex conseguiu uma entrevista com Danja, logo após o lançamento de Filthy, para que o produtor esclarecesse alguns detalhes a respeito da era Man of the Woods.


O trailer do álbum foi postado na internet. Seu cenário e algumas partes do diálogo fizeram as pessoas pensarem que Justin faria um álbum country. Definitivamente, Filthy não é uma canção country. Essa música é uma exceção ao contexto do álbum? O que podemos esperar de Man of the Woods?

Eu acho que o trailer consegue captar muito bem o conceito do projeto. Eu não sei quem disse que ele faria um álbum country [Risos]. Sabe, ele está sempre misturando diversos gêneros: funk, R&B, soul, hip-hop, country. Ele, definitivamente, se preocupa muito com o conceito pessoal do álbum e seus sentimentos a respeito da essência do projeto, que terá alguns elementos das raízes [de JT].

Filthy abre o álbum. Como ela define o que virá a seguir nas outras músicas do álbum?

Eu gosto de pensar que Filthy é uma ruptura entre o mundo que estamos vivendo e o mundo dele. Atualmente, o mundo em que ele vive é com a família dele, seus amigos, suas raízes musicais e tudo isso. Nós estamos indo, definitivamente, para o outro mundo de sentimentos e vibes do álbum, que não foram mostrados no trailer do álbum. Então, Filthy foi uma batida na porta, tipo: “Estou aqui, e, aproveitando, deixe-me apagar tudo que você andou ouvindo, todas as vibes antigas, todas [essas músicas do gênero] tropical, que o mundo está curtindo no momento. Deixe-me quebrar essa mundo e criar um novo.” sendo este novo mundo, aquele em que ele cresceu.

Foi interessante você ter tocado nesses gêneros musicais que estão fazendo sucesso agora, pois já pretendia te perguntar: Qual a opinião de JT a respeito do estado atual do pop? Sabe, ele esteve fora por um tempo, quais eram as conversas a respeito do que está acontecendo com a música atualmente?

Não conversamos sobre o estado da música atualmente e nunca fazemos isso. Apenas vamos ao estúdio e fazemos o que sentimos que devemos fazer. Dessa vez, acho que ele já veio com uma direção certa do que queria fazer. Digo, quando fizemos FutureSex/LoveSounds não conversamos sobre direções que o álbum deveria tomar ou o que deveríamos fazer. Fomos lá e nos divertimos fazendo música. Dessa vez, ele sabia ao certo o que queria fazer. Eu tinha parâmetros, tinha diretrizes a seguir. Eu e Timbo, sabíamos o mundo que deveríamos entrar e fazer música, mas não pensamos sobre isso, tipo “ah, é isso que tá rolando lá fora, então temos que fazer isso.”

Claro que, como produtores, temos que pensar em como vamos juntar todas as ideias, mas a ordem principal era, esquecer tudo que está fazendo sucesso agora, vamos simplesmente ignorar. Não importa. Foi assim que fizemos.

Quais foram as direções que ele deu a vocês?

Foi literalmente o que dá pra ver pelo trailer. Ele quer falar sobre essas coisas e mais… Como posso dizer? A palavra “country” nunca foi usada nas nossas conversas. Só Memphis. É sobre isso que o álbum se trata. Eu me lembro de entrar em estúdio e perguntei, “então, qual é a vibe?” e ele simplesmente levantou os b

raços e disse “essa é a vibe.” E ele estava vestindo uma camisa xadrez, uns jeans e calçando Adidas. Ele tava de barba grande e um capacete. Essa era a vibe. Quando você olha para a capa do álbum, a metade da capa é ele em uma camisa xadrez e jeans, exatamente como estava em estúdio. E isso era Memphis. Ele colocou um quadro no estúdio, que tinha influências de Memphis. Eu pensei, “oh, tudo bem, eu farei um álbum que faça parte disso.” E foi assim que tudo aconteceu!

Falando sobre o trailer, em um trecho, ouvimos Jessica Biel dizer montanhas, fogueiras e Wild West para descrever o álbum. Mas, posso presumir que ela não estava falando de “Filthy.”

[Risos] Eu não acho que ela estava falando sobre a música. É difícil dizer. Se você quer criar um mundo a partir dessas palavras e de repente surge uma música como Filthy… Digo, Filthy é o meio termo do álbum. É um ponto fora da curva em que ele é capaz de contar a história que quer contar. Eu não posso dizer que Filthy foi descrita no trailer, mas ela tem um papel importante no álbum.

Quando as sessões para o álbum começaram?

Cara, ele estava trabalhando nesse álbum há algum tempo. Nem sei dizer quando começou.

Então, quando foi que você apareceu?

Eu comecei os trabalhos no início de 2017, em Janeiro. Eu estava indo e vindo, até que ele terminou o CD, no fim do ano.

Você mencionou como Filthy serviu como ponto fora da curva, e realmente se parece com SexyBack, nesse sentido. Então, quando vejo ele trazendo você de volta, Timbo de volta, os Neptunes de volta, parece que ele está tentando recriar alguns dos seus maiores sucessos para a era moderna, pode confirmar isso?

É, é quase isso. Não diria que ele está tentando recriar nada. Ele só se dá bem com todos os nomes que você citou, então por que não se juntar a quem te ajudou a fazer suas melhores músicas? Justified fez seu trabalho, FutureSex/LoveSounds e 20/20 foram todos diferentes. Entende? Cria um catálogo que nunca será igual, em nenhum sentido.

Mas ao mesmo tempo, vai soar bem coeso e não como se ele tivesse tentando recriar as coisas. Sabe, é como Michael Jackson teve Thriller, Bad e Off the Wall. Todos eles foram feitos pelo Quincy Jones. As mesmas mentes trabalharam juntas e evoluíram ao longo dos anos. É assim que funciona. Eu não acho que ele está tentando recriar algo. Quais são as chances de você conseguir o que quer, musicalmente, trabalhando com as mesmas mentes que já deram certo antes? Acho que as chances são altas.

Ouvi dizer que você produziu mais duas canções no álbum [Sauce e Young Man]. O que você pode nos contar sobre elas?

Uma delas você vai ouvir em breve. A outra está no mundo do homem da mata. [Risos] Na verdade, ambas são.

Eu estava passando por algumas das músicas antigas dele, e ele tem algumas ótimas canções, não country, mas estilo folk como Drink You Away.

Eu amo Drink You Away. Essa música foi, em certo sentido, uma prévia do que viria a seguir. Se quiser ter uma ideia, é o mais perto do que você vai ouvir no restante do álbum. Mas não é tão igual assim. [O álbum] soa diferente de tudo que você já ouviu vindo dele. Ele álbum foi muito bem explorado, ele trouxe muitas coisas. Ele teve seus momentos clássicos da música de Memphis. Tudo que você ouvir em Memphis, seja country, blues ou soul – ele colocou nesse projeto.

Falando do Tennessee, é uma pena não termos Three 6 Mafia no álbum.

[Risos] Eu sei, queria que tivéssemos espaço para eles no álbum. Juicy J é o cara.

20/20 era cheio de canções que não se importavam com ao convencional. Eram muito longas, tinham sons muito experimentais que não estavam tocando no rádio. Teremos algo assim novamente?

Eu diria que vocês vão descobrir no dia 2 de fevereiro. Eu não posso revelar muitos segredos. E pra ser sincero, eu nem ouvi o álbum inteiro.

Sério?

Até mesmo o final de Filthy, era algo que eu não tinha ouvido, até que finalizamos a mixagem. Eu não sei como faremos com a próxima canção. Não ouvi algumas das interludes. Ele realmente estava em seu próprio mundo, fazendo o álbum da maneira que queria. Eu me surpreendo como todo mundo. Eu não sabia como o vídeo seria, eu não sabia de muita coisa. Então, eu assisto sendo um espectador e fã, como todo mundo. Eu estou esperando para ouvir o álbum completo, o produto final. Eu realmente não sei de muito.

O processo de colaboração para este álbum, foi igual ao dos outros álbuns?

Eu diria que sim. Assim que você tem uma fórmula ou a química, é assim que você vai trabalhar. Como eu disse, tivemos mais direções a seguir dessa vez, mas foi só isso. Mas fizemos nossas coisas também, trouxemos algumas ideias e ele escrevia, decidia como queria melhorar. Ele pegava a guitarra, ou algo do tipo. Justin é um produtor, ele só não é tão reconhecido como um porque ele é o maior nome e é o seu próprio álbum. Ele participa muito do processo, ele toca piano, violão, ele toca muita coisa no álbum. Ele é um músico. Ele não simplesmente senta no estúdio e nos deixa fazer o que quisermos. Nós descobrimos o que fazer juntos.

Estou ansioso pra ouvir. 

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