Justin Timberlake Brasil

by André

Brian McKnight fala sobre a experiência de ter trabalhado com JT

Já nos primeiros 10 segundos do primeiro álbum de Justin Timberlake, Justified, ficou claro que havia algo de diferente no cantor de 21 anos. O piano de Señorita e o começo falado, introduzindo a um astro, que sequer precisava de introdução. Justified foi o ritual de passagem de Timberlake, celebrando sua emancipação dos dias de membro do N Sync. Em entrevista ao Bustle, o produtor Brian McKnight (que trabalhou com JT na música “Never Again”) revelou como foi trabalhar com Timberlake em uma fase tão importante de sua vida e carreira.

McKnight, que também trabalhou no álbum Celebrity do N Sync, descreve como os dois tiveram uma amizade desde quando JT ainda era um adolescente. “Ele era um dos maiores artistas  do mundo naquela época, mas ainda era um cara normal. Ele gostava de fazer cestas e jogar golfe. Um cara totalmente pé no chão. Então, foi ótimo vê-lo crescer, da minha perspectiva, indo de menino a homem, fazendo as coisas certas.”

Musicalmente falando, isso ficou evidente no Justified. Lançado num momento de transição, quando Timberlake havia terminado o namoro com Britney Spears e estava tentando seguir em carreira solo, o álbum é repleto de vulnerabilidade e crueza, algo comum nas pessoas em períodos de grandes mudanças. Tem uma boa dose de tristeza a ser ouvida em músicas como “Never Again” e “Cry Me a River.”

De acordo com McKnight, que hesitava em falar sobre o coração e a alma do álbum, essa talvez seja uma parte natural das habilidades de Timberlake como compositor. “Eu acho que como homem, todos nós temos dificuldade em falar sobre essas coisas da vida. Mas acho que ele deixou aberto a interpretações, sem necessariamente ter que falar mais sobre isso. Ele compôs as músicas, lançou e é isso.”

E Justified é o melhor pra esses casos, mesmo depois de 15 anos depois de lançado. Apesar do álbum ter canções sobre decepções amorosas e angústia, na maior parte, retrata um jovem procurando seu lugar no mundo, de maneira confiante. Há momentos de dor e introspecção, com toda certeza, mas em sua maioria, Timberlake mostra sua capacidade de ter bons momentos, ao mesmo tempo que faz músicas para as pessoas sentirem o mesmo.

Além de ter um som único, este que influenciaria inúmeros artistas pop pela próxima década, Justified se destacava pela identidade singular da personalidade de Timberlake, que aparecia nas músicas. Por trás de violão, sample, beatboxing e produtores como The Neptunes, Timbaland e The Underdogs, tinha uma clara presença de Timberlake no controle da produção do álbum, direcionando seus talentos. Em 2002, Justified soava diferente de tudo que era lançado, e talvez seja por causa do time com que Timberlake escolheu trabalhar.

De acordo com McKnight, o álbum foi resultado da propensão de Timberlake a trabalhar com pessoas que se identificam com a visão que ele tinha. “Ele é uma das pessoas mais talentosas que já conheci. O melhor é que ele sabe exatamente o que quer. E consequentemente sabe o que não quer também.”

Justified soa como um jovem tendo o controle e tomando decisões a cerca de sua vida, música e carreira. Mas também mostra colaborações inovadoras, em que uma série de ideias ganham espaço ao lado de outras, fazendo o álbum ser o que é. Segundo McKnight, durante as gravações, todo o time sabia que estavam trabalhando em algo especial por causa disso:

Eu acho que quando olhamos para todos os álbuns que vieram depois do Justified, aquilo meio que virou uma fórmula. Se você tivesse aqueles caras, ou alguns desses caras trabalhando em seu álbum, você poderia esperar o mesmo nível de sucesso… E ainda no estúdio, eu já sentia que aquilo era algo muito muito especial, porque compartilhávamos uns com os outros as canções que estávamos fazendo. Ele tocou Cry Me a River pra mim e eu pensei “uau… Eu vou ter uma música no mesmo álbum que essas?”

Apesar de ter ficado claro a nova direção musical de Timberlake com Justified, “Never Again” nos relembrou do cantor que já conhecíamos. Com vocais cuidadosos, McKnight relembra, “era só piano, basicamente uma canção pessoal.” Never Again lembra as baladas do N Sync como “This I Promise You” e “Selfish,” que também foi produzida por Brian McKnight. Nos anos seguintes, vimos Timberlake expandindo ainda mais seus horizontes e mostrando novos talentos, que somente tivemos uma prévia em seu primeiro álbum.

“Acho que a maioria das pessoas não entende que estamos tratando de uma versão moderna de Sammy Davis Jr. quando falamos de Justin. Cantor, compositor, produtor, ator, dançarino, ele é um entertainer completo em todos os significados da palavra.”

Justified era uma auto-afirmação da vida adulta, com Timberlake evoluindo de boybands à carreira solo. Carreira essa que ele nos diz ser “algo que ele sempre sonhou quando era um garotinho” no break de “Like I Love You.” Talvez ele não tinha ideia do que vinha pela frente. 15 anos mais tarde, Justified ainda é um dos álbuns pop mais icônicos e pioneiros de todos os tempos.

FONTE