Justin Timberlake Brasil

by André

BBC: “O que está por trás de toda a repercussão negativa de Justin Timberlake?”

BBC – Essa deveria ter sido uma semana triunfante para Justin Timberlake.

Seu quinto álbum de estúdio – descrito como seu retorno às suas raízes – foi lançado na sexta-feira, ele cantou no intervalo do Super Bowl dois dias depois, se tornando o único artista a cantar 3 vezes no evento. Mas tanto o álbum quando sua apresentação foram criticados pela mídia. Veja uma prévia dos comentários

sobre Man of the Woods:

  • “Estamos vivendo a ilusão de que Justin Timberlake continua sendo uma estrela fundamental para o pop” [New York Times]
  • Um álbum nem um pouco comprometido [Stereogum]
  • Não há refúgio para as letras, que em muitos momentos parece refletir o mix de emoções que sentiríamos ao encontrar nossos pais transando” [Pitchfork]

sobre sua performance no Super Bowl:

  • Esteticamente e eticamente, a mágica de Timberlake não colou. Parecia que ele lançou o feitiço errado, o tornando invisível perante aos dançarinos. [NPR]
  • “Timberlake era um man of the weeds [homem das ervas, em português], procurando em seus arquivos para encontrar algum momento que pudesse conectar com o público que, em sua maioria, não vivia a música dele. [Time]
  • “O show está quase acabando. E é isso. Um sentimento de união nos preenche, um sentimento de que certamente presenciamos algo que sem dúvidas foi decepcionante.” [Washington Post]

Timberlake deve estar se perguntando o que deu errado. Porque, para falar a verdade, não há nada de extremamente ruim a respeito de Man of the Woods nem de sua performance no Super Bowl. Eles são apenas… um pouco decepcionantes.

A repercussão negativa parece mais do que apenas comentários sobre sua música. Há uma zombaria e crueldade que soa pessoal – como se as pessoas tivessem algum ressentimento com JT, e de repente encontraram um motivo para expressar isso.

Para alguns, o ressentimento vem do relacionamento com Britney Spears. Após o término, ele compôs músicas sobre o relacionamento de ambos. Para outros, vem por ele não ter apoiado Janet Jackson depois de expôr seu seio para milhões de telespectadores no Super Bowl 2004.

“Ele escolheu cantar  Rock Your Body, mesma canção que deu origem ao famoso nipplegate, e ainda assim não mencionou Janet: Ele não a gritou [?????] e parou a música logo antes do verso em que tirou parte da roupa dela,” disse Ann powers da NPR.

“Parecia que ele estava tentando apagar o que aconteceu no passado, mas isso não vai acontecer em pleno 2018.”

“A performance no Super Bowl convidou as pessoas a refletirem sobre como Justin jogou Janet embaixo do ônibus e como isso se trata de gênero e raça,” concorda Peter Robinson, do Popjustice.

Timberlake também foi criticado pela sua resposta ao movimento #TimesUp.

Ele estrelou o último filme de Woody Allen, Wonder Wheel, mas parecia não considerar as implicações morais em trabalhar com o diretor, que foi acusado de abuso sexual por sua filha adotiva.

“Eu prefiro não entrar nessa. Realmente não entro nesses assuntos com ninguém,” disse em entrevista ao Hollywood Reporter. Logo depois, ele apareceu no Globo de Ouro usando o emblema da Times Up.

“Ele errou feio nesse comeback em diferentes maneiras,” diz Laura Snapes, do The Guardian.

“É uma terrível mistura de elementos envolvendo raça e gênero. Atualmente, esperamos que as estrelas pop sejam porta-vozes em certo nível, e ele definitivamente não está entrando nessa.”

No mês passado, num artigo da New York Magazine, a crítica Molly Fischer comentou esse fenômeno. “Se tornou impossível discutir cultura pop sem se preocupar com implicações raciais, culturais, sexuais e de gênero. E esperamos que nossos artistas reflitam essa conversa.”

É um tema que derrubou a campanha do último álbum de Katy Perry no ano passado. Após fazer um gesto de ativismo político com o single Chained To The Rhythm, ela voltou à zona de conforto com Bon Appetit, canção que fala sobre sexo oral.

“É interessante como Katy foi demonizada por tentar ser politizada e Justin está sendo criticado por não estar tentando,” diz Peter Robinson.

“Em cada um desses casos, tem uma mãozinha da mídia – assim que percebem a oportunidade de atacar, a temporada é iniciada e para cada artigo pertinente, existem outros 20 que só foram feitos para ganhar clicks ou apenas jovens escritores tentando destruir  o legado de ícones pop que vieram de gerações anteriores.”

“Outra verdade sobre o álbum tanto de Justin quanto de Katy é que eles simplesmente não foram atualizados, então existe um ciclo de política sendo desculpa para atacar um álbum ruim e um álbum ruim sendo motivo  para atacar a política.”

E essa é a verdade que tiramos disso tudo.

“Eu acho que se a música fosse boa, superaria todos esses problemas ideológicos que algumas pessoas tem,” diz Snapes.

Ao mesmo tempo, Ed Sheeran e Bruno Mars parecem estar se dando bem com músicas que não dizem nada além de “ei, eu gosto de fazer música” e “oi garotas, o que acham de ficar nuas?”

Mas o crucial da história é que eles não fingem estar dizendo algo profundo. Timberlake, por outro lado, disse que Man of the Woods seria seu álbum mais pessoal, inspirado”no meu filho, na minha esposa e de onde eu vim.”

Ele anunciou o álbum com um trailer não-intencionalmente hilário em que ele caminha dramaticamente por plantações de milho em uma camisa xadrez, enquanto uma voz feminina diz: “É como o Wild West, mas atual.”

“Era como uma propaganda de perfume,” diz Laura Snapes. “E foi um erro para ele lançar aquilo antes de qualquer música, pois fez as pessoas pensarem que ele estava voltando a fazer música de brancos. Parecia algo conveniente a se fazer na América de Trump – abandonar seu passado na black music. Foi de mau gosto usar a ideia datada do homem forte do oeste.”

Peter Robinson diz: “Não tinha pior momento na música pop para alguém esperar ser aplaudido por entregar uma celebração medíocre de uma suposta masculinidade. […] Man of the Woods é precisamente o que acontece quando o passatempo favorito de uma estrela pop é o golfe”

Ainda assim, Timberlake não parece ter estragado sua carreira por conta dos comentários negativos.

Man of the Woods vai estrear em 2º lugar no Reino Unido, seus streams cresceram drasticamente após o Super Bowl. De acordo com o YouTube, os fãs assistiram seus clipes 500 mil vezes somente na primeira hora após o show do intervalo.”

É possível que mesmo com milhares de artigos pseudo pensadores (incluindo esse), os fãs irão para o Spotify e decidir o que ouvir baseado no quão politizado um cantor é?

“Cada vez mais, muitos fãs jovens estão procurando política em seus artistas,” diz Robinson. “Mas não tenho certeza que fãs jovens fazem alguma diferença para o Justin Timberlake em 2018. Então, não acho que toda a repercussão negativa irá dizimar a carreira de Justin, mas é importante que o jornalismo continue punindo seus artistas que cometem erros.”

Trevor Noah sobre Justin Timberlake: “As pessoas já estavam com raiva. Estavam tipo: “Escolhemos ficar com raiva antes mesmo de saber exatamente o que Justin faria, então continuaremos com raiva. Eu já paguei por essa raiva, não posso devolvê-la.”

Clique no ícone do Spotify e siga nossa playlist 😉